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Grande Rota das Montanhas Mágicas – 3.ª etapa
De Castro Daire a São Macário
Dia 25 de Outubro, o relógio marcava 7h em ponto e o grupo do BPI, nas 7 Bicas, voltou a reunir-se com rumo à 3.ª etapa. Regressada após uma ausência forçada na etapa anterior, sou recebida com a notícia de que a Marta não está na lista das presenças.
O Cardoso apercebe-se de que há uma pessoa a mais, uma espécie de intrusa que mais tarde é nomeada pelo ausente mas sempre líder a ditar ordens, o presidente Caldas, para redigir a presente crónica.
Sob a orientação do sempre simpático e prestável sr. Eduardo, seguimos viagem rumo a Lamelas, a cerca de 3 km de distância do ponto original de partida e que ficaram pendentes da etapa anterior. Pelas janelas da camioneta, pudemos ver no exterior que o céu se apresentava cinzento e nublado, e que a chuva, embora tímida, prometia companhia em todo o percurso. A tradicional paragem de pequeno-almoço aconteceu numa estação de serviço, de ambiente escolar, a roçar uma cantina, mas eficaz para o café quente e o pão fresco a que nos habituámos.
Chegados a Lamelas, tirou-se a fotografia da praxe, e desta vez com o sr. César, o fotógrafo original deste grupo, que se juntou ao grupo por uns quilómetros, com o seu joelho em recuperação, mas o espírito e a vontade de regressar intactos.
O trilho revelou-se húmido, mas muito bonito, rodeado de verde e pontuado por várias árvores de fruta: laranjeiras, castanheiros e muitas videiras. O sr. Teixeira, atento aos detalhes e aos sabores da terra, colheu e partilhou uvas com alguns elementos do grupo. Entre conversas e passos certos, a manhã avançou até à “paragem da banana”.
Por volta das 12.30h, chegámos à freguesia de Pinheiro e ao acolhedor e familiar café Cantinho do Paiva. A jovem proprietária, o marido e o bebé (em sistema rotativo entre colo da mãe, do pai e do avô) viram-se, de repente, invadidos por uma multidão de caminheiros com ar decidido – e bexiga impaciente. Passado o susto, lá improvisaram mesas e cadeiras, e ainda nos brindaram com bilharacos ainda quentinhos e doces, como o próprio dia pedia. Para fechar o almoço, o João, fiel ao espírito naturalista, completou a refeição com o seu xarope biológico, supostamente energizante e protector de resfriados. O João, que mais à frente da etapa se revelou também um bom apanhador de fruta e apetências natas para os trabalhos da agricultura.
De estômago confortado, seguimos caminho. A chuva mantinha-se discreta, mas persistente. Os últimos quilómetros exigiram mais esforço. A subida final trouxe não só inclinação, mas também um encontro curioso, com dois cães corpulentos e ruidosos, que à vez se mostraram zelosos e verdadeiros guardiões de um rebanho e que por momentos nos confundiram, a mim, à Manu e à Adelina, com ovelhas desgarradas. O susto dissipou-se com a chegada de reforços, nomeadamente da team leader (a Rosa) e do seu apito e de outros caminhantes.
Ainda a cerca de 3 km do fim, e porque se tratava de uma infindável subida, a Rosa dá como concluída a caminhada, pois estaremos mais frescos e secos para fazer na seguinte.
O grupo instala-se numa paragem de transportes improvisada, equipada com o clássico banco feito de tábua de madeira, apoiado por uma grade de cerveja e um tijolo. Este ponto final de espera pela nossa camioneta tornou-se símbolo da criatividade campina, e entre gargalhadas, figos e ovelhinhas-bebés a passar, a paisagem parecia saída de um postal rural animado.
Molhadinhos, mas activos para a troca de vestimenta seca, apanhámos o nosso transporte de regresso e fomos presenteados com vinhinho do Porto e bolachinhas húngaras, pelo simpático casal Teixeira e Ana.
De corpo e espírito quentes, e porque uma boa trama é relevante para se fechar mais um dia de história neste grupo, eis que a estrada rural se apresenta bloqueada com troncos de árvore caídos.
s homens do grupo, fortes, destemidos e em modo “serradores super-heróis”, saíram prontamente da camioneta, incluindo o nosso valente motorista, para resolver este obstáculo que nos impedia de chegar sãos e salvos às nossas casas.
A atleta Manu, sempre pronta a registar o inédito, sacou do telemóvel e transformou o momento numa reportagem ao vivo, com entrevistas, comentários e até uma “acusação jornalística” de que eu teria sido a culpada pelo bloqueio, apenas para ter algo digno de escrever na crónica porque duvida dos meus dotes linguísticos para a escrita. Pouco tempo depois, os troncos estão removidos, os homens festejam eufóricos a façanha conseguida, e a Manu está oficialmente promovida a repórter de campo daqui em diante. Já eu, tenho toda uma honra e reputação para recuperar, tendo em conta que existem evidências digitais da minha palermice e insanidade mental.
Retomámos o trajecto de retorno ao Porto e mais um ciclo foi fechado, com a certeza de que uma boa dose de maluquice saudável neste grupo resiliente e de boa-disposição, fazem estas etapas valer muito a pena. Cada quilómetro conta, mas as histórias neste grupo valem muito mais!
Por Marta Pereira, 23-01-2026
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