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Caminhos do contrabando
À descoberta de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A nossa primeira paragem foi em Cabeceiras de Basto, depois da habitual "paragem técnica" sempre indispensável para desentorpecer as pernas e resolver outros assuntos.

Após um excelente repasto com os sabores do bacalhau frito com cebolada, fomos fazer a digestão a caminhar pela vila, a admirar várias casas, algumas brasonadas, do início do séc. XX. Visitámos o Mosteiro de São Miguel de Refojos, um mosteiro beneditino que existe desde o início de Portugal, conforme doação feita por D. Afonso Henriques em 1131. Actualmente acolhe a Câmara Municipal e um externato.

Para chegar a Chaves, onde pernoitámos, passámos por Boticas e fomos espreitar o Centro Cultural Nadir Afonso. Houve tempo para conhecer a origem do vinho dos mortos, um truque para enganar os franceses na 2.ª invasão francesa, escondendo o vinho enterrando-o; e quando o retiraram debaixo da terra descobriram que o vinho, além de não estar estragado, tinha adquirido propriedades novas e muito saborosas.

No centro estava patente uma exposição temporária de Nadir Afonso: Cidades Reais e Imaginárias, e por momentos viajámos por cidades tais como Figueira da Foz ou Roma, mas também por Cidades de Galos ou a Cidade dos Príncipes.

E eis que chega o Dia de Contrabandear! Começou bem frio e com a distribuição da indumentária do contrabandista: boina para os homens e lenço para as mulheres.

Após os necessários esclarecimentos sobre as regras a cumprir durante o trajecto, iniciámos o caminho para a raia, cada um com o seu “pesadíssimo” fardo (no real chegavam a ter 50 kg cada um). Seguindo o chefe de fila, em silêncio e respeitando as ordens dos contrabandistas e vigilantes, lá fomos avançando, trocando as voltas quer à Guarda Fiscal quer aos Carabineiros.

Houve algumas baixas, mas o espírito de entreajuda funcionou. No fim os fardos foram quase todos entregues, e a peseta bailou nas mãos dos contrabandistas. Com tanta aventura, o mata-bicho de pão, vinho e sardinhas em lata, soube a refeição gourmet.

No entanto, a aventura ainda não tinha acabado, pois no posto da Guarda Fiscal esperava-nos o interrogatório aos que foram apanhados. Conhecemos mais uns quantos truques dos contrabandistas e também dos passadores de emigrantes; afinal as duas realidades cruzavam-se nos caminhos.

E se às vezes esta relação trazia percalços, a verdade é que ambos procuravam uma vida melhor, a solidariedade aparecia, e depois cada um seguia o seu caminho. Quem não faltou neste interrogatório foi a sombra da PIDE quer na ameaça mansa à laia de conselho quer na dureza física e mental.

Foi em Vilarelho da Raia que foi servido um excelente almoço a todos os participantes do Caminho do Contrabando – as polícias “tuga” e galega, os camaradas espanhóis e os companheiros portugueses –, composto por rancho, caldo-verde e sonhos de abóbora, com que terminou esta aventura.

A tarde foi dedicada à visita da cidade de Chaves, ou Aquae Flaviae – como os romanos a baptizaram quando deram com as maravilhosas águas termais (percebem agora o flavienses e não o “chavenses”). A guia que nos acompanhou foi excelente e com conhecimento e cultura tais, que tornou a visita num agradável e enriquecedor passeio.

E este dia com tantas aventuras, tão preenchido, terminou em beleza: fomos jantar à Pensão Flávia, restaurante emblemático de Chaves. Foram servidas 13 (treze) entradas, desde a salada de feijão “bicicleta” frade até ao vinagrete de amêijoas, passando pelos enchidos do fumeiro de Chaves e outros deliciosos petiscos. Mas a estrela foi a posta barrosã, que apareceu no fim, e quem não se empanturrou com as entradas pôde deliciar-se com “chichinha da boa”!!!!

A queimada das bruxas, seja lá o que isso for (afinal para dentro do caldeirão entrou de tudo…), serviu para terminar o jantar em festa e ajudar as digestões mais lentas.

Após uma boa noite de descanso ainda em Chaves, no Forte de São Francisco, avançámos para a terra das bruxas, Vilar de Perdizes. Numa manhã fria e com nevoeiro, o mais próximo de bruxas e bruxarias que encontrámos foi um gatinho preto e abóboras de tamanho XXL – aldeia calma em que o reboliço só chega nas sextas-feiras 13 ou no congresso de Medicina Popular do Padre António Fontes.

Por fim, Montalegre, uma vila simpática que existe como tal desde o séc. XIII, onde o seu castelo é o símbolo maior, mas para conhecer um pouco das tradições e costumes transmontanos a visita que fizemos ao Ecomuseu do Barroso foi muito útil.

No regresso, e apesar de não estar no programa, a passagem pelar Régua e por toda a zona do Douro Vinhateiro foi uma delícia para os olhos e um prazer para a alma, pelo menos para aqueles que não estavam a dormir uma sestazinha.

Por Graça Lopes, 3-02-2020




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