Já no autocarro o grupo da cozinha tentou pressionar o nosso amigo, que, entretanto, iria ler a crónica da etapa anterior, tudo por questões futebolísticas... não descansaremos enquanto não fizermos dele um dragão.
Pairava também no ar a possibilidade de alterar os estatutos do grupo das meninas que normalmente viajam na parte traseira do autocarro, mas esse assunto ficou em aberto. Parámos para o pequeno-almoço, desta vez numa simpática padaria em Vale de Cambra, saindo retemperados e prontos para a acção.
Chegados ao ponto de partida, contámos com o nosso sempre simpático motorista, sr. Eduardo, para nos tirar a fotografia da praxe.
Saímos de Paraduça com a esperança de a visualizar, foi divertido procurar por algo que sabíamos estar perto, mas não saber exatamente onde faz parte da nossa magia de grupo.
Em vez de «Onde está o Wally?» para nós foi «onde está Paraduça?»: tudo certo porque temos sentido de humor. Chovia, mas estávamos como sempre entusiasmados e ansiosos por dar início a uma nova aventura.
Com enganos pelo caminho, apesar de avisados pela sabedoria de um pastor local, lá fomos. Como nos enganámos no trajecto, humildemente reconhecemos e corrigimos a trajectória de bom grado.
Mesmo com chuva, a paisagem era mais do que convidativa: entre o rio Teixeira e o rio Vouga a paisagem era simplesmente fantástica. Desde ilhas e praias fluviais, uma barragem e cascatas fabulosas, lá fomos fazendo quilómetros.
Almoço em Casal Velide ou Parada, dependendo do habitante que questionávamos; juntámos a hora da banana à hora do almoço.
Os trilhos estavam alagados e difíceis, mas isso só tornou o espírito de grupo e entreajuda habitual ainda mais visível. Houve até quem tentasse drenar a água para facilitar a passagem dos restantes caminheiros.
Por momentos revivi emoções dos trails que fui fazendo ao longo da vida, mas a verdade é que nunca encontrei o espírito deste grupo, bem hajam. Aquela passagem do curso de água com corrente apreciável é exemplo disso mesmo.
Teve de tudo esta etapa, até a presença de um fiel amigo que nos acompanhou durante quilómetros como que guiando o grupo. Os animais sabem quem gosta deles. Tivemos no ano anterior o Santi e nesta etapa tivemos o Gringo.
A etapa foi colorida, com citrinos e sorrisos fáceis de quem participa pelo prazer de caminhar e conviver.
A parte final da etapa adivinhava o Natal com azevinhos lindíssimos a preencher a paisagem e a lembrar tempos que para muitos de nós são memórias guardadas no coração de tempos passados, mas felizes.
Chegados ao autocarro tínhamos ainda um aniversário a festejar. A Isabel estava de parabéns, e festejámos como sempre com muito carinho. Chegados ao Porto desejámos festas felizes a todos com a certeza de que em Janeiro estaríamos juntos.
O meu bem-haja a este grupo pela forma como me recebeu. Grata de coração.
Bom Ano de 2026 a todos.
Por Laura Pinto, 10-05-2026
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