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De Dornelas a aldeia de Castanheira
Grande Rota das Montanhas Mágicas – 8.ª etapa
A recepção da mensagem da Isabel dava conta de uma ausência forçada – e como a compreendemos: é difícil sair da cama de madrugada com um frio que enregela até as pontas dos cabelos e um prognóstico de chuva, ainda que reservado, que nos deixava apreensivos.
O autocarro estava quentinho e seguimos até à já tradicional pastelaria Nelita em Vale de Cambra, só aqui percebemos que tinha acontecido algo estranho antes de entrarmos no autocarro. O Cardoso, desta vez, estava acompanhado por uma esbelta senhora, elegante e bastante alta. Sim, a altura foi o que mais impressionou quem assistiu de longe à conversa entre os dois. Rapidamente se criou uma novela a tentar identificar quem seria. Nada temam, o Cardoso não trouxe um elemento externo, era mesmo a nossa querida excelentíssima senhora dona menina Fernanda, também conhecida como Nandinha – mistério resolvido.
Voltando ao que interessa, na pastelaria o reforço foi realizado com sucesso e mesmo antes de criticarmos uma das montras que parece receber só elementos que não têm um aspecto comestível, fui destacada como cronista oficial da etapa.
Chegar a Dornelas foi quase imediato, até porque viajávamos num autocarro excelente da MGC conduzido por essa lenda viva do transporte de passageiros, o sr. Eduardo, aparentemente o mais difícil era mesmo indicar onde se iria dar por terminada a etapa.
Tudo tratado e segue-se a foto da praxe; para variar, foi tirada junto à igreja. O frio mantinha-se e foi começar a descer para subir e atravessar a localidade. Até ao Santuário da Senhora da Saúde não tinha que enganar: era sempre a subir, deu tempo para confirmar que estava mesmo frio, uma vez que a água que devia deslizar estava imobilizada, pois tinha passado ao estado sólido. Ainda se lembram? Estava mesmo em forma de gelo.
Por esta altura a dúvida instalava-se: que idade teria o jovem André? Sim, porque na ausência da Manu a Laura estava muito bem acompanhada pelo André e pelo pai Manuel – toda a gente sabe que o André deve ter nascido quando pai tinha 10 anos, porque – claro! – nesta altura o Manuel deve ter uns 25 anos no máximo e certamente o André terá 15; senão, como se explicaria a excelente forma física???
Tudo bem, caminham depressa, mas também não ligam muito à sinalética. Do mal, o menos: com a idade chega-nos a visão digna de um falcão para avistar todas as plaquinhas da rota que nos façam poupar 1 ou 2 metros no caminho.
E lá fomos nós sempre a subir junto a algumas levadas para indicar ao nosso colega Alberto que não é só na Madeira que existem estas maravilhas da natureza. E por falar em Madeira, não é que o nosso companheiro destas andanças trouxe mesmo bananas para todos? A paragem aconteceu junto ao presépio comunitário de Chã, e enquanto se fazia o brinde da banana, alguém verificou que as palavras que ornamentavam o presépio se encontravam caídas. Alguns dos elementos do grupo levantaram a partilha, a amizade, mas a justiça não havia meio de ficar em pé.
Depois de dois dedos de conversa trocados com uma habitante que veio espreitar quem andava por ali com este frio a invadir o presépio, fomos avançando destemidamente. Tenho para mim que os meus colegas vão implorar que eu não escreva crónicas; não sei se repararam, mas sempre que sou eu, tudo se resume a subir!!!
Calma: para já, a subida era constante mas suave, e caminhámos a bom ritmo até ao almoço; alguns desvios e saltos para nos afastarmos de alguma água que nos surgia no caminho, mas tudo tranquilo entre Junqueira e Felgueira. Quero só mesmo registar que a Doçaria Leninha se encontrava encerrada e que a nossa senhora Lurdes nos acompanha sempre, desta vez até na toponímia.
Junto à igreja decidimos avançar até ao Restaurante Mira Freita, onde os responsáveis pelo grupo tinham reservado o almoço, ou isso ou fomos até ao café-mercearia Dorinda e cada um comeu o que tinha na sua mochila. Percebemos nesta altura que o sr. Eduardo não perde o grupo e estava a comer o seu preguinho no restaurante para mantermos a proximidade geográfica.
Café tomado, mãos aquecidas na lareira, e eis que o Teixeira e a Ana nos presenteiam com uns belos bombons. A mim qualquer um me conquista com chocolates, e já nem me lembro de que há dívidas a saldar. Ainda não comemos os bolos de abóbora, o bolo de laranja e muito menos o de chuchu – calma do Teixeira: era só mesmo a parte da abóbora, que por mim está mais do que pago, o resto quem tem as dívidas sabe perfeitamente, e não vou aqui falar em nomes – certo, Rosa?
Por Célia Soares, 25-04-2026
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