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Encontro de Reformados nos Açores - 3
Bom tempo no canal - crónica III

Como Corsários das Ilhas (título de um saboroso livro de crónicas açorianas de Vitorino Nemésio), lá andámos, de porto em porto, a “pilhar” com os cinco sentidos as maravilhas insulares. Não se tratava agora das nossas visitas guiadas – as igrejas, os palácios, a talha e a pintura –, embora, em cinco dias, tivesse havido tempo de sobra para deambulações pela riqueza histórica e artística dos Açores.

Ficaram na memória o fabuloso interior barroco da Igreja das Malhadas, a imensa fortaleza de São João Baptista, onde veio a morrer, em 1906, o quase lendário Gungunhana, o Museu dos Baleeiros, das Lages do Pico, a opulenta decoração do palácio dos governadores-generais, antigo colégio de jesuítas, e os arranjos já românticos da Câmara Municipal de Angra, edifício de bom desenho, inspirado – quem diria?! – em modelos arquitectónicos portuenses.

Não esquecemos também os primores pré-manuelinos, ainda góticos, da matriz de Praia da Vitória, as caprichosas e ingénuas construções dos Impérios do Espírito Santo, as ruelas castiças de Angra e os subúrbios apalaçados de S. Carlos, enriquecidos nos séculos XVIII e XIX por aristocratas e ricos exportadores de laranja da Terceira, que ali fizeram construir as suas casas nobres, com os seus jardins cheios de exóticas bem ambientadas à humidade do clima. As memórias históricas da descoberta e do povoamento das ilhas, da resistência aos invasores espanhóis em 1582/1583 e da organização do movimento liberal nos tempos difíceis do miguelismo, fizeram também parte do “programa de aprendizagem”.

Ninguém esqueceu, com certeza, a célebre Batalha da Salga (25 de Julho de 1581, S. Sebastião, ilha Terceira), e o gesto heróico de D. Brianda Pereira ao lançar as manadas de vacas e touros contra os invasores castelhanos, tanto mais que uma inesperada coincidência recriou com realismo o tropel do gado, a descer a calçada, quando o grupo saía, incauto, de mais um daqueles banquetes que abrilhantaram o passeio.

Repousantes para os olhos foram o verde variado dos pastos e bosques, pontuados pelas cores mais garridas das hortênsias e pelos vestígios negros da lava: ameaçadores, para o ouvido, o vento e o mar, especialmente naquela viagem de “má-memória” para muitos; e deliciosos ao olfacto e paladar, os primores da cozinha açoriana, a inevitável alcatra, o queijo de São Jorge, o verdelho do Pico – pessoalmente, o doce de vinagre foi a minha gulosa descoberta, que, só por si, quase justifica um regresso.

Enfim, tudo isto e muito mais ainda, pois das riquezas geológicas, caldeiras, cones, vulcões, câmaras magmáticas, algares… tanto que aprendi… escreverá quem mais souber.

Por Miguel Soromenho, 5-11-2020




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