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Encontro de Reformados nos Açores - 2
Viagem aos Açores - crónica II

São viagens um pouco cansativas? São, e porquê? É muito avião, é muito autocarro, muitos almoços muitos jantares, mas… vale a pena quando a organização é perfeita.
Percorremos 4 ilhas – Pico, S. Jorge, Terceira e S. Miguel – em 5 dias, mas mesmo assim conseguimos conhecer o que de melhor cada ilha oferece e que as gentes açorianas aproveitam e os turistas apreciam.

Devido à minha formação em Biologia e Geologia, impressionou–me particularmente a ilha do Pico:
– a imponência da montanha do Pico, que é um estratovulcão com 750 mil anos e 2351 m de altura, e que na sua cratera tem um cone de lava com 70 m de altura – Piquinho –, libertando ainda fumarolas;
– o cultivo da vinha em pequenas curraletas limitadas por rocha magmática vulcânica;
– o Museu do Baleeiro, nas Lages, que é uma mostra do que foi o principal centro baleeiro no período de caça ao cachalote, hoje proibida. Actualmente está associado à observação de cetáceos;
– as suas piscinas lávicas bem como algumas formações curiosas que se observam em Cachorro.

A travessia marítima da ilha do Pico para a ilha de S. Jorge, ilha muito extensa com altas falésias, foi tranquila e sempre acompanhada pelos responsáveis do grupo. Já em terra firme, parámos em vários miradouros, e, em Urzelina, a guia local chamou-nos a atenção para a torre da igreja, destruída pelo vulcão em 1808 bem como a história ligada a este acontecimento. Outra característica que apreciei particularmente foram as maravilhosas fajãs junto ao mar.

Ao 3.º dia lá nos dirigimos para o aeroporto da ilha Terceira, apelidada de ilha das festas, devido ao grande número de festividades ao longo do ano, em louvor ao Divino Espírito Santo. Porém, o aeroporto tinha encerrado devido aos ventos fortes. Perante este facto só nos restava ir de barco e… fomos. A viagem foi um pouco atribulada porque o mar também estava bravo, o que fez alguns elementos do grupo, apelidados posteriormente de resistentes, sentir-se indispostos.

Uma vez todos recompostos, continuámos pelo interior desta ilha, vendo pelo caminho alguns tentadeiros, e por fim a maior caldeira dos Açores, a caldeira de Guilherme Moniz, com 15 quilómetros de diâmetro e na qual se encontra o maior reservatório de água de toda a ilha Terceira, uma vez que a lagoa que aqui tinha existido foi coberta, há milhares de anos, pelas escoadas lávicas da erupção do Algar do Carvão.
Esta caldeira, que é atravessada por uma estrada, está coberta por uma imensa vegetação que lhe dá uma coloração muito própria.

Finalmente, para fim de dia, eis-nos perante o soberbo Algar do Carvão, chaminé vulcânica com 90 m de profundidade (338 degraus) e 3200 anos de idade. É uma chaminé aberta e não obstruída porque a drenagem do magma da chaminé principal regrediu para a câmara magmática. É a única que é visitável no mundo. Aconselho vivamente a visita a este geossítio pela sua beleza interior de cortar a respiração aos primeiros degraus, levando-nos a imaginar como terá sido a erupção deste vulcão e que, ao que se sabe, foi muito violenta. O cone vulcânico que alberga este algar situa-se a norte da cidade de Angra do Heroísmo.

A cidade de Angra do Heroísmo, os seus belíssimos e coloridos impérios, as suas casas senhoriais, o seu centro histórico e as suas piscinas vulcânicas (Biscoitos) são um bom exemplo de uma cidade que foi arrasada por um forte sismo, em 1 de Janeiro de 1980, e que foi capaz de uma recuperação urbanística e arquitectónica tal, que terá levado a Unesco a declará-la Património Cultural da Humanidade. Interessante foi também a visita ao Palácio dos Capitães-Generais, hoje uma das residências oficiais do Presidente Regional dos Açores.

Quanto à flora, os Açores apresentam a floresta Laurissilva, que existiu há 20 milhões de anos e que quase desapareceu quando da formação do mar Mediterrâneo e de glaciações durante o Quaternário. Caracteriza-se por ser húmida, subtropical, composta por árvores da família das lauráceas (louros). Nas zonas acima dos 500m encontra-se a floresta de nuvens que é a expressão mais húmida da Laurissilva, constituída por espécies de folhas menores e mais resistentes – como azevinho (Ilex perado), cedros (Juniperus), urzes (Erica) e louro (Laurus azorica). Existem também numerosas espécies endémicas, como, por exemplo, a Platanthera azorica (a orquídea mais rara da Europa).

Notícia de última hora: uma equipa de investigadores do Porto descobriu que 2 moléculas de uma rã – rã verde ibérica – que só existe nos Açores podem combater a covid 19. Estas duas moléculas existem numa substância que esta rã segrega, sempre que se sente em perigo. As moléculas neutralizam as proteínas estruturais (com a forma de coroa) que o vírus utiliza para entrar nas células. Estas moléculas, ou, mais propriamente, os péptidos que existem nestas duas moléculas são sintetizados e replicados quimicamente para usar, então, em toda a investigação levada a cabo por investigadores do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde – e mais tarde em Lisboa, com o vírus. Tenhamos esperança.

Finalmente vou salientar algumas das pessoas cuja eficiência e simpatia tornaram esta viagem numa experiência cheia de aprendizagens interessantes e momentos de prazer: Miguel Soromenho, historiador competente e sabedor que em alguns momentos destas visitas complementou e esclareceu, brilhantemente, as declarações de alguns guias locais; Natércia Caeiro, representante eficiente e responsável da TQ – Travel Quality Viagens; Rui Simplício, um cavalheiro e… excelente avô; Vitória Cuzmici, colaboradora do Grupo Desportivo; os guias locais que, certamente, deram o seu melhor, e os motoristas dos vários autocarros que nos conduziram.

Um obrigado a todos.

Por Helena Simões, 5-11-2020




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